Pesquisa Personalizada

Slides das Aulas Sobre PPP:

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Projeto Político-Pedagógico na Perspectiva do Planejamento Participativo - Texto 07

A elaboração, implementação e avaliação do Projeto Político-Pedagógico.

Elaboração do PPP:

1.2. Mobilização

Conforme já discutimos, a construção do Projeto Político Pedagógico pode constituir-se num dos mais importantes instrumentos da gestão democrática na/da escola. É nesse sentido que Gadotti (2000) afirma que o PPP estabelece uma ruptura com aquilo que já está instituído, tornando-se, assim, instituinte de uma nova direção para as ações político-educativas da escola. Ele apresenta algumas condições “facilitadoras” para que o PPP seja bem sucedido:
  • Comunicação eficiente: um projeto deve ser factível e seu enunciado claramente compreendido;
  • Adesão voluntária e consciente ao projeto: importância da participação e co-responsabilização de todos;
  • Suporte institucional e financeiro: vontade política, pleno conhecimento de todos - em especial dos dirigentes - e recursos financeiros definidos;
  • Controle, acompanhamento e avaliação do projeto: todos precisam estar envolvidos e a co-responsabilização é um fator decisivo;
  • Atmosfera e ambiente agradáveis: se expressa na circulação de informações, na divisão de tarefas, na adesão da comunidade escolar ao projeto;
  • Credibilidade;
  • Um bom referencial teórico: necessário à definição dos conceitos, da orientação política do projeto.
Acrescentaríamos aos itens propostos por Gadotti (2000), a necessidade de uma boa mobilização da comunidade escolar como condição também necessária à compreensão da importância do PPP para a escola.
A palavra mobilizar, segundo o Dicionário Houaiss, é derivada do verbo francês mobiliser, e “significa causar a mobilização; por em ação um conjunto de pessoas para uma tarefa, para uma campanha ou conclamar pessoas a participarem de uma atividade social, política ou de outra natureza insuflando-lhes entusiasmo, vontade etc”. Da definição proposta, podemos derivar duas conclusões:
  • mobilização tem caráter processual e;
  • significa articular, por em ação pessoas para em torno de um objetivo comum. Isso significa, pois, que a idéia de mobilização está associada também às idéias de participação e de partilhamento de objetivos.
Quando nos referimos à “mobilização” de imediato, a associamos a movimentos sociais, reivindicatórios ou eventos de caráter político. De fato, nosso imaginário é repleto das imagens de mobilização popular que, desde as últimas décadas, reivindicam e consolidam a democracia em nosso país. Contudo, para que os objetivos pretendidos possam ser atingidos, é preciso que a mobilização tenha continuidade. Por isso, dizemos que a mobilização é um processo de caráter educativo, na medida em que promove a participação de todos e a discussão dos problemas ou das situações que estão em sua origem, possibilitando também o que Paulo Freire denominou de conscientização.
Da perspectiva da gestão democrática da escola, mobilizar a comunidade escolar implica desenvolver um processo de amplo envolvimento e engajamento da comunidade com o PPP. Isso nos leva a considerar a multiplicidade de singularidades, as diferentes perspectivas, interesses, valores, expectativas reunidas em torno de um propósito comum. Nesse sentido, o caráter pedagógico da mobilização também se expressa, pois, para ser efetiva, a mobilização implica a existência de um vínculo significativo entre os sujeitos e os objetivos em torno do qual se mobilizam. Ou seja, é preciso que aquilo que move os sujeitos tenha “sentido”. Tem que estar vinculado às suas necessidades, ainda que muitas vezes essas necessidades não sejam totalmente conhecidas.
A mobilização das pessoas não ocorre, entretanto, de forma espontânea. É preciso que alguém tome a iniciativa de chamar, de convidar para o debate, de propor ações com vistas ao objetivo pretendido. Duas condições parecem ser necessárias à mobilização:
  1. ações coordenadas por um coletivo ou um dirigente;
  2. definição de estratégias ou dos “caminhos” a serem utilizados para mobilizar o grupo socialmente envolvido.
  3. Como poderíamos satisfazer essas duas condições, em se tratando da construção do PPP?
Se a mobilização implica fazer movimentos em direção a um objetivo, também implica direção e intencionalidade. Isso não significa, entretanto, que apenas uma pessoa seja responsável por tal processo; sabemos que exige definição de estratégias, de recursos/meios, de atividades dirigidas etc. Vejamos como poderíamos fazer:
  1. Organização de uma coordenação/grupo que pode ser composta por representantes do grêmio estudantil, do conselho escolar, dos professores e funcionários, responsável por discutir e elaborar um plano de mobilização da comunidade escolar para a construção do PPP. Definição de tarefas e responsabilidades no grupo;
  2. Definição de estratégias para mobilizar as famílias, os estudantes, os professores e os funcionários para a discussão do tema: o que é PPP, sua importância para a escola e a necessidade da participação de todos;
  3. Implementação das estratégias consensuadas no grupo;
  4. Definição de estratégias para manter a comunidade escolar mobilizada para a gestão democrática da escola, o que implica não apenas a elaboração do PPP, mas também o acompanhamento de sua implementação. [Fonte: UFSC]

O Projeto Político-Pedagógico na Perspectiva do Planejamento Participativo - Texto 06

A elaboração, implementação e avaliação do Projeto Político-Pedagógico.

1. Elaboração do PPP:
1.1. Metodologia de Trabalho para a Construção do PPP

A adoção da metodologia condizente aos fins que se deseja alcançar é critério essencial para o êxito do PPP. A legitimidade e racionalidade do PPP vinculam-se à metodologia usada na sua construção. São variados os caminhos da elaboração e implementação do PPP da escola. Muitos autores que trabalham no âmbito do planejamento dialógico/participativo utilizam como princípio metodológico a formulação de perguntas e questionamentos para problematizar a realidade, como proposta de trabalho na elaboração do PPP.
Nessa perspectiva, a metodologia de trabalho para a elaboração do PPP segue o princípio do questionamento, conforme ensina Vasconcellos:
"Para a expressão daquilo que o grupo pensa e quer, usamos o recurso metodológico do questionamento, da problematização, sintetizada nas perguntas. Por que pergunta? Para provocar um desequilíbrio no sujeito, para estabelecer um desafio que leve a uma reflexão e produção." (VASCONCELLOS, 2000, p.177).
Sendo diversificados os caminhos para a elaboração e implementação do PPP, vale destacar que é importante aprendermos a indagar acerca da realidade, ou seja, problematizar via questionamento.
Muitas indagações surgem do exercício de participação e da sensibilização. Sabemos que formular questionamentos exige também reflexão. As indagações bem elaboradas, focalizadas, claras e objetivas contribuem no processo de participação e na análise da realidade.
As indagações a serem elaboradas devem ser específicas e condizentes com as respectivas etapas/partes constitutivas do PPP. Dessa forma, formulamos perguntas próprias para o Marco Referencial (Situacional, Filosófico, Operativo), para o Diagnóstico, e para a Programação. Posteriormente, na etapa de avaliação do PPP, podemos elaborar questões condizentes a esta etapa.

A elaboração e a própria seleção de quais indagações serão feitas em cada etapa ou fase já constituem propriamente o fruto de uma reflexão, sensibilização e de tomada de consciência. As respostas serão valiosas para identificar as representações/percepções dos sujeitos e para sistematizar o pensamento coletivo.

Assim, indagamos quanto ao processo de elaboração e implementação do PPP:

  • Quem participa?
  • Como participa?
  • Quando participa da construção e implementação do PPP?

Essas indagações referem-se aos princípios da participação, legitimidade e democracia. Isto porque o PPP só adquire legitimidade político-institucional e pedagógica quando é resultante da participação de toda a comunidade escolar, diretamente ou por representatividade também legítima e democrática.

Indispensável é, como já anunciamos antes, a mediação do coordenador pedagógico na condução do diálogo, no debate e na comunicação dos princípios, fins e objetivos do PPP, mobilizando e estimulando a todos para a participação, compartilhando e orientando.
Há várias estratégias para a construção do PPP sugeridas pelos autores mencionados. Uma dessas estratégias é a organização de grupos multidisciplinares que contemplam os diversos segmentos da comunidade escolar¹ (corpo docente, corpo técnico-administrativo, equipe de gestão, órgãos colegiados (conselhos escolares, grêmio estudantil, unidades executoras/APMs) e que respondem coletivamente às questões levantadas para cada tópico.

As respostas podem ser recolhidas por uma equipe escolhida para esta finalidade visando sistematizar os tópicos a partir das respostas dos grupos. Em seguida, poderão ser organizadas uma série de discussões coletivas visando aprimorar a sistematização inicial dos tópicos. A produção do texto síntese deve traduzir a concepção da coletividade e a identidade² institucional almejada pela comunidade escolar.

Seguem abaixo, sugestões de indagações possíveis a serem feitas pela coletividade:

  • Qual metodologia será adotada na construção, implementação e avaliação do PPP?
  • Que questões-problemas serão contempladas no PPP?
  • Como organizar a estruturação dos tópicos e dos itens que constituirão o registro documental do PPP?
  • Como enfrentar as contradições e conflitos que surgirem?
  • Quais as condições reais e o tempo disponível para a construção coletiva do PPP?
  • Como viabilizar a construção de um projeto bem feito garantido-se a identidade da escola?
  • O que pode dificultar a construção do PPP e como enfrentar as dificuldades encontradas?
As possibilidades de mudanças nas escolas demandam também persistência e, de fato, muita reflexão e trabalho coletivo na perspectiva de superação dos limites e dificuldades.

Assim, na medida em que planeja, decide e executa, a equipe/comunidade escolar se responsabiliza por seus atos e passa a tomar mais consciência das suas necessidades e a dialogar e a problematizar sobre a sua realidade. [Fonte: UFSC]

Glossário:

1. Comunidade escolar:
A comunidade escolar é constituída por pais, mães, diretores, alunos, professores e demais funcionários da escola. Pode incluir ainda conselheiros tutelares, de educação, dos direitos da criança, ONGs, universidades e outras organizações interessadas e diretamente envolvidas com os problemas da escola e com sua melhoria.

Quer saber mais?
http://www.acaoeducativa.org.br/indicadores/chamada001.htm

2. Identidade:
Significa explicitar com clareza sua missão social, seus princípios, valores e compromisso com resultados educacionais dos alunos. Significa, também, organizar-se administrativa, pedagógica e financeiramente, de forma a alcançar os material e metas com eficiência e eficácia (racionalidade interna) e definir linhas de trabalho que sejam aceitas e legitimadas pela comunidade (racionalidade externa).


Quer saber mais?
– O Projeto Pedagógico da Escola na Lei de Diretrizes e Bases - LDBEN.

2.1 Valores:

"Diremos que o valor é uma maneira de ser ou de agir que uma pessoa ou uma coletividade reconhecem como ideal e faz com que os seres ou as condutas aos quais é atribuído sejam desejáveis ou estimáveis".
2.2 Projeto:

O Projeto político-Pedagógico é um instrumento de trabalho que ilumina princípios filosóficos, define políticas, harmoniza as diretrizes da educação nacional com a realidade da escola, racionaliza e organiza ações, dá voz aos atores educacionais, otimiza recursos materiais e financeiros, facilita a continuidade administrativa, mobiliza diferentes setores na busca de objetivos comuns e, por ser de domínio público, permite constante acompanhamento e avaliação



O Projeto Político-Pedagógico na Perspectiva do Planejamento Participativo - Texto 05

A elaboração, implementação e avaliação do Projeto Político-Pedagógico:

Elaboração do PPP

Em linhas gerais, podemos fazer uso de diferentes termos/expressões para identificarmos as distintas fases do processo de elaboração, implementação e avaliação de um projeto político-pedagógico. Já vimos que Veiga (1996) propõe os Atos Conceitual, Situacional e Operacional.
Danilo Gandin (1991) e Celso Vasconcellos (2000), por sua vez, destacam três etapas constituintes do projeto político pedagógico: o estabelecimento do Marco Referencial, composto pelo Marco Situacional, o Marco Político-Filosófico e o Marco Operativo; a constituição de um Diagnóstico, e o estabelecimento da Programação. Nesta Sala Ambiente vamos seguir as orientações de Gandin e Vasconcellos, mas destacamos que elas apresentam relações com a proposta de Veiga.
A seguir, utilizamos um quadro elaborado por Vasconcellos (2000, p.170), para detalhar as partes constituintes do processo de elaboração e implementação de um projeto político-pedagógico.
Quadro 1 – Marcos do PPP, segundo Gandin e Vasconcellos:



PROCESSO DE CONSTRUÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO PPP
MARCO REFERENCIAL DIAGNÓSTICO PROGRAMAÇÃO
O que queremos
alcançar?
O que nos falta para ser o que desejamos? O que faremos concretamente para suprir tal falta?
É a busca de um posicionamento:
  • Político: visão do ideal de sociedade e de homem;
  • Pedagógico: definição sobre a ação educativa e sobre as características que deve ter a instituição que planeja.
Estabelecimento do sonho ideal.
É a busca das necessidades da escola feita a partir da análise da realidade e/ou o juízo sobre a realidade da instituição em comparação com aquilo que desejamos que a escola seja.

Nossa prática atual, definição do sonho possível.
É a proposta de ação.
O que é necessário e possível para diminuir a distância entre o que vem sendo e o que deveria ser.

O que vamos fazer para atingir o sonho possível

Antes de tratar especificamente de cada uma dessas etapas do processo de elaboração do PPP, vamos discutir dois momentos importantes que antecedem essa construção, que são a metodologia de trabalho e a mobilização da comunidade escolar. [Fonte: UFSC]

O Projeto Político-Pedagógico na Perspectiva do Planejamento Participativo - Texto 04

Dificuldades e limites na construção do Projeto Político Pedagógico

Quando estudamos, discutimos ou participamos de eventos nos quais o tema é a escola e a construção do seu projeto, é comum sentirmos uma mistura ambígua de entusiasmo e desalento. É usual ouvirmos e, muitas vezes, nós mesmos até comentamos que “na prática tudo é diferente”, que é “muito difícil realizarmos o proposto”, que os “pais não sabem participar” etc. Muitos desses argumentos parecem reafirmar o velho jargão que em educação “tudo é difícil”, “nada muda” etc.
Gadotti (2000), ao discutir os obstáculos e limites que surgem quando se procura implementar processos de gestão colegiada, argumenta que para a real efetivação dos mesmos é preciso que escola desenvolva um ambiente informativo promovendo acirculação de informações em todas as etapas do planejamento escolar e do fazer pedagógico-organizacional, ou seja, no estabelecimento do calendário escolar, na distribuição das aulas, no processo de elaboração ou de criação e novos cursos, ou de novas disciplinas, na formação de grupos de trabalho etc.
Quais obstáculos ou limites encontramos com freqüência nestes processos? De acordo com o autor, a maioria dos problemas deve-se:
  • à pouca experiência democrática;
  • à mentalidade que atribui aos técnicos (e apenas a estes) a capacidade governar e que o povo é incapaz de exercer poder;
  • à própria estrutura verticalizada de nossos sistemas educacionais;
  • ao autoritarismo que, historicamente, tem impregnado nosso ethos educacional;
  • ao tipo de liderança que tradicionalmente domina a atividade política no campo educacional.
Para enfrentar essas dificuldades, qual seria o caminho? Ainda de acordo com Gadotti (2000):
  • o desenvolvimento de uma consciência crítica;
  • o envolvimento das pessoas – comunidades interna e externa à escola;
  • a participação e cooperação das várias esferas do governo;
  • a autonomia, responsabilidade e criatividade como processo e como produto do projeto.
Enfim, é preciso ousadia dos professores, dirigentes, pais alunos e ousadia da escola para construir sua identidade como instituição social, assumir compromissos, e para criar um futuro melhor do que o presente.
Assim, antes de elaborar o PPP é preciso planejar como ele será feito, ou seja, “planejar o planejamento”. Uma dificuldade que temos de vencer é a questão do tempo, e é preciso definir quais tempos teremos para ele.
Sabemos que o tempo na escola é escasso, uma vez que nela temos diversas demandas e que os estudantes necessitam de nossa atenção. Sim, isto é verdade, mas sabe-se que tempo depende também de nosso interesse. Se o coletivo de professores e gestores da escola desejar ter este tempo para o planejamento, o definirão como prioridade para viabilizá-lo.
Vale destacar também que elaborar o planejamento da escola não é perda de tempo, mas pelo contrário, é ganhar tempo, pois serão antecipadas decisões com o propósito de que o trabalho pedagógico seja exitoso e, posteriormente, não se perca tempo com ações que poderiam ser previstas e, assim, muitos equívocos de ordem pedagógica e organizacional poderiam ser evitados. [Fonte: UFSC]

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Projeto Político-Pedagógico na Perspectiva do Planejamento Participativo - Texto 03

A elaboração, implementação e avaliação do Projeto Político-Pedagógico

Nesta Seção focalizaremos o processo de elaboração e implementação do Projeto Político-Pedagógico, também criaremos espaços para a reflexão e para o diálogo entre vocês, cursistas, visando identificar e mapear os principais impasses encontrados no processo de elaboração e implantação do projeto político-pedagógico na escola.
Primeiramente, destacamos que a elaboração do projeto político-pedagógico (PPP) demanda a inflexão sobre a realidade escolar, peculiar a cada instituição. Esta inflexão significa conhecer seus problemas debruçar-se sobre eles, buscando encontrar meios coletivos para solucioná-los.
É necessário conhecer e apreender a realidade de cada instituição escolar que comporta demandas específicas, dinâmica organizacional própria, e também, considerar as comunidades, escolar e extra-escolar, com suas expectativas e necessidades, pois a elaboração de um projeto político-pedagógico, na perspectiva de gestão democrática colegiada, visa o alcance das metas e objetivos propostos pelo seu coletivo. É por essa perspectiva, que o desenvolvimento do PPP vislumbrará legitimidade institucional e adesão de forma colaborativa, configurando-se como o resultado da reflexão e ação conjunta.
O projeto político-pedagógico, concebido na perspectiva dialógica e democrática caracteriza-se, assim, como voz plural dos diferentes protagonistas que interagem na dinâmica pedagógica e organizacional da escola. Isto porque ele adquire legitimidade à medida que expressa concepções e proposições da comunidade escolar. Portanto, o PPP não pode ser resultado somente das reflexões do diretor e da equipe de gestão, mas sim do amplo debate junto aos diferentes segmentos constituintes da comunidade escolar.

VÍDEO
São variadas as discussões sobre o Projeto Político Pedagógico e a gestão escolar apresentadas por meio de recursos audiovisuais como por exemplo, os vídeos que trazemos nesta seção. Vamos assisti-los?
Vídeo 1: Conselho escolar e educação com qualidade social. (Gestão democrática da educação; parte 1)
Vídeo 2: Conselho escolar e educação com qualidade social. (Gestão democrática da educação; parte 2)
Vídeo 3: A gestão democrática do projeto político-pedagógico. (Gestão da escola)
ATIVIDADE - OBRIGATÓRIA:
Assista aos 03 vídeos intitulados “A gestão democrática do projeto político-pedagógico”, indicados na lista de links disponíveis acima refletindo sobre as seguintes questões:
  1. O que os vídeos apresentam sobre PPP e a gestão democrática da escola?
  2. O que apresentam sobre trabalho coletivo e gestão democrática?
  3. A que outras questões os vídeos nos remetem?
  4. Como os vídeos contribuem para a reflexão em torno do PPP de nossa escola?
  5. Em grupo (mínimo 4 máximo 5), com base nas respostas, elabore um texto que expresse sua compreensão sobre o PPP e esteja preparado(a) para socializar as suas ideias e entregar a atividade.

Bases conceituais, políticas e filosóficas do Planejamento Escolar - Texto 2

O Coordenador Pedagógico e o Planejamento Escolar

Nosso objetivo neste tópico é destacar a relevância do papel do coordenador pedagógico no planejamento escolar. Como agente articulador do diálogo deve estar atento à transformação da comunidade escolar, promover a reflexão em torno das relações escolares e da transformação da prática pedagógica. Assim, ele estabelece diversos vínculos e relações interpessoais na escola ao desenvolver as múltiplas atividades que caracterizam a sua função. É necessário que a ação educativa seja planejada, articulada com os sujeitos escolares e o coordenador pedagógico figure como mediador de formas interativas de trabalho, em momentos de estudos, proposições, reflexões e ações.
Contudo, o processo de elaboração, implementação e avaliação do projeto político-pedagógico configura-se, em um dos momentos de trabalho do coordenador em que estes vínculos e relações são, claramente, manifestados. Isto porque todo planejamento participativo tem como pilar de sustentação o trabalho coletivo que busca conferir legitimidade ao trabalho pedagógico. Por vezes, são as formas de estabelecimentos dos vínculos e a qualidade das relações interpessoais que contribuem para o êxito das atividades.
Estas ações também remetem à dimensão formadora do coordenador pedagógico, enquanto articulador de aprendizagens na escola considerada espaço de construção de cultura e de interação social. Por isso é importante que sua prática profissional envolva valores e atitudes concernentes à prática da justiça, da tolerância e da democracia.
É importante destacar a interface do coordenador pedagógico no planejamento da escola e do ensino, em especial, na construção de planos de ensino (plano de trabalho docente) articulado ao projeto político-pedagógico.

O plano de ensino é essencial para nortear o trabalho cotidiano do professor, sendo por ele elaborado, numa periodicidade geralmente anual ou semestral, conforme a duração do período letivo. A respeito da sugerimos a leitura da Sala Currículo, Cultura e Conhecimento Escolar.
É necessário que o coordenador pedagógico dialogue com os docentes a fim de refletir sobre os objetivos gerais elencados no projeto político-pedagógico e sua forma de articulação com os respectivos planos. A elaboração dos planos de ensino (Trabalho Docente) deve ser compartilhada com o coordenador pedagógico, pois os planos de ensino (planos de trabalho docente e planos de aula) são instrumentos essenciais na organização do fazer pedagógico cotidiano do professor e do coordenador. A própria organização do fazer pedagógico pressupõe que o coordenador pedagógico elabore também o seu plano de trabalho em consonância com o projeto político-pedagógico e com as diretrizes gerais concernentes ao seu exercício profissional.
Nesse sentido, as temáticas abordadas nesta sala também se articulam aos temas estudados na Sala Ambiente Realidade Escolar e Trabalho Pedagógico na qual podemos identificar os aspectos relevantes da realidade escolar, do papel e perfil do coordenador pedagógico.

Nos âmbitos dos diversos sistemas de ensino (federal, estaduais e municipais) constitui-se um grande desafio a busca por uma identidade e a definição do perfil ocupacional do coordenador pedagógico. Contudo, dentre todas as atividades desenvolvidas destacamos que o coordenador pedagógico interage diretamente com os professores, cabendo-lhe atitudes relacionais que orientem o desenvolvimento do trabalho docente em sala de aula e suas devidas articulações com o planejamento da escola. É necessário que o coordenador pedagógico estabeleça as conexões entre o espaço micro-escolar da sala de aula, o meso espaço da escola e o nível macrossocial, focalizando os dispositivos do planejamento participativo com vistas ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem e à sistematização das demandas docentes e específicas do processo educativo.
Para melhor desempenhar esta articulação é necessário conhecer e valorizar os processos e espaços comunicacionais e de gestão da informação. A esse respeito ver Sala Ambiente de Processos Comunicacionais. Além disso, a construção de relações interpessoais democráticas demanda o respeito ao princípio ético de valorização tanto da pessoa quanto do profissional da educação, levando-se em conta a diversidade cultural e de concepções pedagógicas e a compreensão do processo de construção da identidade institucional da escola.
Ao promover a articulação da equipe escolar em torno do projeto político-pedagógico coordenando as discussões e análise sobre seus desdobramentos nos planos de ensino, nos planos de curso, nos planos de aulas o coordenador pedagógico assume o papel central no planejamento escolar. De forma, também a instigar e viabilizar a participação docente em todas as etapas do planejamento, especialmente na elaboração, implementação e avaliação do PPP. A articulação em torno do PPP permitirá que diferentes sujeitos escolares se movimentem na direção dos objetivos e fins estabelecidos pelo coletivo da escola. Neste processo o coordenador pedagógico também aprende, a partir das considerações reflexivas e do feedback dos demais protagonistas da escola, e a escola configura-se como organização aprendente.
Deste modo, o coordenador pedagógico deve estar aberto ao diálogo, ser estudioso, leitor e ouvinte, estar aberto às inovações e atento aos aspectos das relações interpessoais inerentes ao universo escolar, e exercer a liderança junto aos seus pares de modo a garantir, ao mesmo tempo, espaço para a criatividade e o cumprimento das diretrizes gerais da educação básica e das normas estabelecidas pela escola. É necessário sustentar suas práticas sob uma fundamentação teórico-metodológica capaz de orientá-lo nos principais conceitos de ordem político-pedagógica, bem como no que se refere ao planejamento escolar (e de ensino) com foco no PPP.

Muito embora, a elaboração do PPP deva resultar da participação coletiva. O coordenador pedagógico, com o apoio da direção da escola, deve envidar esforços no sentido de instigar essa participação, pois as ações que ele realiza perpassam várias instâncias e segmentos interagindo, inclusive, junto aos pais dos alunos.
No entanto mesmo que facilitada pelo desenho da função, esta interação não ocorre espontaneamente, é necessário que haja a intenção e opção da gestão escolar em promovê-la e criar os espaços de interlocução entre os diferentes segmentos da escola.
Em um cenário marcado pela presença de grupos plurais e diversos, como professores, alunos, comunidade e demais profissionais da educação, o reconhecimento da escola como instituição multicultural por excelência (ASSIS & CANEN, 2004) é de fundamental importância.
Para Paulo Freire (1982), você, Coordenador/a, é um educador e, como tal, deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola.
No exercício de sua função você necessita criar, entre os professores, um espaço para a ressignificação de suas práticas, de modo a resgatar a autonomia sobre o seu trabalho sem, no entanto, se distanciar do trabalho coletivo da escola.

PARA PENSAR:
O MAESTRO
O educador ou o coordenador de um grupo é como um maestro que rege uma orquestra. Da coordenação sintonizada com cada diferente instrumento, ele rege a música de todos. O maestro sabe e conhece o conteúdo das partituras de cada instrumento e o que cada um pode oferecer. A sintonia de cada um entre si, a sintonia de cada um com o maestro, a sintonia de todos é o que possibilita a execução da peça pedagógica. Essa é a arte de reger as diferenças, socializando os saberes individuais na construção do conhecimento generalizável e na formação do processo democrático.
(FREIRE apud MEDEL 2008, p.37)

Muito embora, a elaboração do PPP deva resultar da participação coletiva. O coordenador pedagógico, com o apoio da direção da escola, deve envidar esforços no sentido de instigar essa participação, pois as ações que ele realiza perpassam várias instâncias e segmentos interagindo, inclusive, junto aos pais dos alunos.
No entanto mesmo que facilitada pelo desenho da função, esta interação não ocorre espontaneamente, é necessário que haja a intenção e opção da gestão escolar em promovê-la e criar os espaços de interlocução entre os diferentes segmentos da escola.
Em um cenário marcado pela presença de grupos plurais e diversos, como professores, alunos, comunidade e demais profissionais da educação, o reconhecimento da escola como instituição multicultural por excelência (ASSIS & CANEN, 2004) é de fundamental importância.
Para Paulo Freire (1982), você, Coordenador/a, é um educador e, como tal, deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola.
No exercício de sua função você necessita criar, entre os professores, um espaço para a ressignificação de suas práticas, de modo a resgatar a autonomia sobre o seu trabalho sem, no entanto, se distanciar do trabalho coletivo da escola.

PARA PENSAR:
O MAESTRO
O educador ou o coordenador de um grupo é como um maestro que rege uma orquestra. Da coordenação sintonizada com cada diferente instrumento, ele rege a música de todos. O maestro sabe e conhece o conteúdo das partituras de cada instrumento e o que cada um pode oferecer. A sintonia de cada um entre si, a sintonia de cada um com o maestro, a sintonia de todos é o que possibilita a execução da peça pedagógica. Essa é a arte de reger as diferenças, socializando os saberes individuais na construção do conhecimento generalizável e na formação do processo democrático.
(FREIRE apud MEDEL 2008, p.37)




ATIVIDADE 2 - OBRIGATÓRIA

Com base na leitura do texto O coordenador pedagógico na educação básica - desafios e perspectivas, disponibilizado na Biblioteca, faça uma reflexão sobre a importância do papel do coordenador pedagógico no planejamento escolar e pontue as dificuldade sencontradas neste papel.
Redija um pequeno texto e envie essa produção para a Tarefa “Atividade 2”.




ATIVIDADE 3 - OBRIGATÓRIA

Após estabelecer uma reflexão teórica sobre o seu trabalho e pontuar as dificuldades encontradas neste papel, participe do Fórum, leia o que seus colegas postaram e identifique os fatores ou aspectos de consenso no exercício profissional.
Utilize o Fórum, tópico “A importância do papel do coordenador pedagógico no planejamento escolar”para postar sua contribuição.
Participe!


Medel (2008, p. 38 a 39) destaca que é necessário “identificar os desafios cotidianos, o que pode ser feito mediante a investigação da própria ação desenvolvida pela escola”. Isto porque, esta investigação também configura-se como um exercício de reflexão e de auto-avaliação permitindo identificar definir os desafios, dilemas vividos no cotidiano da escola. Por outro lado a reflexão em torno do exercício profissional permite diferenciar a tipologia e natureza das dificuldades encontradas e analisar o tipo de interação que estabelecidas entre os sujeitos escolares. A esse respeito sugerimos a leitura da Sala Ambiente Realidade Escolar a fim de correlacionar as problemáticas abordadas quanto ao desafio do coordenador pedagógico no exercício da sua função.
Assim, consideramos interessante a sugestão feita por Medel (2008) para a identificação dos desafios encontrados pelo coordenador de área mediante o registro sistemático da própria ação. Uma vez que essa “ação possibilita ao indivíduo desenvolver a consciência individual da sua experiência, identificando os desafios de sua ação no que se refere ao que pensa e diz sobre sua prática.” (MEDEL, 2008. p. 38)
Por sua vez, este tipo de registro possibilita também focalizar a percepção dos coordenadores pedagógicos quanto ao exercício da sua função, seus dilemas, suas expectativas, suas ações. E isto em dimensão ampla permite também identificar os desafios de natureza coletiva (MEDEL, 2008)
Dessa forma, propomos a você Coordenador a reflexão em torno da sua prática profissional, seguindo as sugestões apresentadas por Medel (2008, p.39):
“ a) identificando os desafios cotidianos; b)agrupando os desafios de acordo com sua natureza: pedagógicos, administrativos financeiros etc; c) diferenciando desafios coletivos dos individuais; d) analisando os seguintes aspectos: por que permanece, como se relacionam, quais suas conseqüências e outros”.
ATIVIDADE 2 - OBRIGATÓRIA
Com base na leitura do texto O coordenador pedagógico na educação básica - desafios e perspectivas, disponibilizado em pdf, faça uma reflexão sobre a importância do papel do coordenador pedagógico no planejamento escolar e pontue as dificuldade sencontradas neste papel. Redija um pequeno texto para socializar e entregar.

REFERÊNCIAS:
ASSIS, M.D.P. & CANEN, A., Identidade Negra e Espaço Educacional: vozes, histórias e contribuições do multiculturalismo, Cadernos de Pesquisa, Vol. 34, N. 123, Set/dez. 2004.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
GADOTTI, Moacir . Educação e poder: uma introdução à pedagogia do conflito. São Paulo: Cortez, 1988.
SILVA JR. C.A. & RANGEL M. (orgs). Nove olhares sobre a supervisão. Campinas, SP: Papirus, 2004.
MEDEL, Cássia Ravena Mulin Assis de. Projeto Político-Pedagógico: construção e elaboração na escola. Campinas, SP: Autores Associados, 2008. (Coleção Educação Contemporânea).

Bases conceituais, políticas e filosóficas do Planejamento Escolar - Texto 01

Elementos e Contributos do Planejamento Escolar2

Planejar faz parte de nosso cotidiano, por exemplo, quando decidimos seguir por determinado caminho e não por outro, ou quando projetamos organizar uma festa de aniversário para nossos filhos.
No entanto, há diferentes tipos de planejamento, vinculados aos diferentes contextos, objetivos e fins, desde os mais simples aos mais complexos referentes à organização de diferentes instituições sociais, como por exemplo, o planejamento da escola. Podemos dizer que o planejamento educacional, segundo Calazans (1990), ocorre em três níveis interdependentes :o planejamento no âmbito dos sistemas e redes de ensino; o planejamento no âmbito da unidade escolar; e o planejamento no âmbito do ensino. Neste estudo focalizaremos o planejamento da escola.
O ato de planejar a escola e o ensino requer dos educadores a reflexão e mobilização em torno da definição de valores, princípios, significados e concepção de educação e das práticas inerentes ao espaço escolar. Em dimensão mais ampla o planejamento escolar requer integralização e articulação das ações educativas norteadas pelo projeto político-pedagógico. Enquanto que, o planejamento de ensino constitui-se em espaço e momento coletivo para reflexão e análise da práxis pedagógica e dos instrumentos teórico-metodológicos, que permitam a todos os envolvidos reafirmar suas posições e avaliar suas práticas, ressignificando-as. Nesta perspectiva, o planejamento escolar deve ser concebido, assumido e vivenciado cotidianamente, também como um ato político, no sentido de resgate dos princípios que balizam a prática pedagógica em processo de ação-reflexão-ação. Por isso o planejamento escolar requer a reflexão e ação coletivas.

A escola é uma instituição imprescindível à sociedade contemporânea, especialmente, pelo seu contributo para o desenvolvimento da cidadania. O que diferencia basicamente o planejamento empresarial do planejamento escolar é que a escola, enquanto instituição social tem natureza e objetivos diferentes das organizações empresariais que visam à aferição de lucro.
Os objetivos da escola, além de serem diferentes, são antagônicos aos objetivos das empresas capitalistas (PARO, 2001, p. 14), porque se destinam a formar pessoas. Segundo Paro (2001), “são os fins buscados que dão especificidade a cada administração em particular” (p. 13).
O planejamento contempla contributos essenciais para a melhoria da escola e do processo de ensino-aprendizagem, uma vez que propicia: balizar o processo de tomada de decisões fundamentadas com base na análise da realidade escolar; refletir e definir coletivamente objetivos das atividades de ensino e de gestão da escola; projetar as potencialidades da escola frente às demandas sociais; fazer a previsão e a provisão dos recursos diversos; organizar e articulação das ações educativas; otimizar o tempo e o espaço pedagógico; organizar o trabalho coletivo; explicitar princípios, diretrizes e procedimentos do trabalho docente que assegurem a articulação das atividades escolares; assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente; expressar os vínculos entre o posicionamento político-filosófico, pedagógico e profissional na gestão escolar; enfim, projetar os caminhos da escola, entre tantos outros.
Nesta Sala Ambiente destacaremos a concepção de planejamento participativo concebido, segundo Cornely (1977), como sendo um processo político, um contínuo propósito coletivo de reflexão e amplo debate a fim de deliberar sobre a construção do futuro da comunidade contando com a participação do maior número possível de membros das categorias que a constituem.
O planejamento participativo no âmbito da escola implica reavivar continuamente o processo de reflexão e ação da coletividade (da comunidade escolar). Implica ainda a busca da identidade institucional, ou seja, da identidade construída e reconstruída pela coletividade. Ele se baliza pela elaboração de seu projeto político-pedagógico. Esclarecendo melhor, isto ocorre porque, na elaboração e implementação do projeto político-pedagógico, materializam-se os diferentes momentos do planejamento passando pela: definição de um marco referencial, elaboração de um diagnóstico, definição da programação com base nos princípios de necessidade e exeqüibilidade visando à intervenção na realidade escolar e a própria avaliação.

A idéia de situar o projeto político-pedagógico como norteador do planejamento escolar adquire grande destaque no processo de redemocratização sócio-política, frente à crítica ao modelo de planejamento tecnoburocrático com ênfase nos seus aspectos técnicos.
O processo de elaboração e implementação do projeto político-pedagógico é fundamental porque envolve as pessoas que atuam na escola, dá a elas a sensação de pertencimento, de envolvimento com a instituição escolar. Isto pois, não há relação agradável entre submissão e satisfação. Ninguém fica satisfeito sendo apenas submisso (DIAS, 1998, p. 268). A satisfação em trabalhar numa escola, atuar para sua melhora e maior aprendizado dos alunos vem com a condição de partícipe, de sentir-se valorizado e respeitado.
Assim, o planejamento escolar norteado pelo político pedagógico não condiz com relações autoritárias ainda presentes em muitas gestões escolares.
Masetto (2003) destaca que apesar da implantação de recentes teorias administrativas da área educacional, das tentativas de que os gestores educacionais revejam suas posições e ações, “é impressionante ver a influência da cultura educacional própria do gestor no modo como ele exerce a administração” (p. 70). Sua forma de ver o mundo e a sociedade interfere sobre a forma como um diretor de escola toma as decisões ou constrói seu modelo de gestão. Essa cultura educacional do gestor está permeada, segundo Masetto (2003), das mesmas relações verticais, de cima para baixo, ou seja, de quem sabe e tem o poder, para quem não sabe e deve obedecer.
Mudar esta cultura não é coisa fácil e o coordenador pedagógico (CP) pode contribuir para relações mais respeitosas e democráticas na escola. Desenvolver a cultura da gestão democrática e participativa significa ter a escola como espaço de deliberação coletiva dos sujeitos escolares, ou seja, os gestores, os professores, os estudantes, seus pais ou responsáveis, os funcionários. Isto não é tarefa só para a direção da escola, mas sim de todas as instâncias e usando muitos mecanismos de participação coletiva, deliberação colegiada.
A gestão democrática e participativa é instrumento de superação do autoritarismo e dos individualismos ainda tão presentes nas escolas. Para vivenciá-la é preciso criar momentos coletivos e específicos de discussão sobre o significado de democracia, autonomia, descentralização, participação, cidadania, representatividade responsável. É importante que a comunidade escolar tenha conhecimento das diferentes possibilidades de se gerir uma escola e tenha clareza, compreensão, dos conceitos citados, pois eles são fundamentais para se empreender uma gestão participativa.
Isto é fundamental se desejamos uma escola democrática. Uma escola respeitosa com as pessoas formará também pessoas respeitosas e isso pode parecer pouco, mas não é! O respeito é contagiante e, certamente, na vida social com pessoas mais respeitosas teremos uma sociedade mais justa e democrática.
Desta forma, ter uma gestão democrática e participativa na escola significa contribuir para a construção de uma sociedade melhor. [Fonte: Escola de Gestores - UFSC]

1Colaboração de Profª Mirza Seabra Toschi – UEG; Eliane Anderi – UEG e Renato Ribeiro Leite – UEG.
2 Contribuição de Mirza Seabra Toschie, Eliane Anderi e Renato Ribeiro Leite da UEG



LEITURA COMPLEMENTAR

Estado, Descentralização e Planejamento Educacional na América Latina- de autoria de João Augusto Gentilini http://www.polemica.uerj.br/pol25/artigos/contemp_4.pdf
O planejamento em educação. Marcelo Soares Pereira da Silva – UFU
O planejamento em educação_MarceloSoares.pdf
Planejamento e trabalho coletivo Ângelo Souza Ricardo de Souza [et al.]
(Reflita sobre os entrelaçamentos entre estes diferentes tipos de planejamento e sobre o significado do trabalho coletivo e a gestão democrática na escola).
Angelo Ricardo Souza.pdf
Planejamento Escolar: um estudo a partir de produções acadêmicas (1961 – 2005) – MAUÁ JÚNIOR, Reynaldo.
http://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/Educacao/Dissertacoes/junior_rm_dr_mar.pdf

REFERÊNCIAS:
CALAZANS, M. J.; GARCIA, W.; KUENZER, A. Planejamento e educação no Brasil. São Paulo: Cortez, 1990.
DIAS, José Augusto. Gestão da escola. In: Vários autores. Estrutura e funcionamento da Educação Básicaleituras. São Paulo: Pioneira, 1998. p. 268-282.
GANDIN, Danilo. A prática do planejamento participativo. 10ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
MASETTO, Marcos T. Cultura educacional e gestão em mudança. In: VIEIRA, A.T., ALMEIDA, M.E. B. e ALONSO, M. Gestão educacional e tecnologia. São Paulo: Avercamp, 2003. p.69-84.
PARO, Vitor. Escritos sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001.
XAVIER, Antonio Carlos da Ressurreição e SOBRINHO, José Amaral. Manual de implantação do PDE. Brasília: Banco Mundial, 1998


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