O Que é O Projeto Político Pedagógico (PPP)?

O Projeto Político Pedagógico (PPP), também conhecido como Projeto Pedagógico, é a carta magna de uma instituição de ensino, pública ou privada. É um documento obrigatório, presente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que define as diretrizes que norteiam o funcionamento da escola em todos os seus aspectos. O PPP é como um mapa que guia a escola em direção à sua missão, ou seja, o que ela almeja alcançar em termos de formação de cidadãos e qualidade do ensino. Ele deve ser elaborado de forma coletiva e nunca deve estar totalmente acabado, por ser um documento dinâmico o PPP deve sempre ser reelaborado com a participação de toda a comunidade escolar, incluindo gestores, professores, alunos, pais ou responsáveis legais.
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Bases conceituais, políticas e filosóficas do Planejamento Escolar - Texto 2

O Coordenador Pedagógico e o Planejamento Escolar

Nosso objetivo neste tópico é destacar a relevância do papel do coordenador pedagógico no planejamento escolar. Como agente articulador do diálogo deve estar atento à transformação da comunidade escolar, promover a reflexão em torno das relações escolares e da transformação da prática pedagógica. Assim, ele estabelece diversos vínculos e relações interpessoais na escola ao desenvolver as múltiplas atividades que caracterizam a sua função. É necessário que a ação educativa seja planejada, articulada com os sujeitos escolares e o coordenador pedagógico figure como mediador de formas interativas de trabalho, em momentos de estudos, proposições, reflexões e ações.
Contudo, o processo de elaboração, implementação e avaliação do projeto político-pedagógico configura-se, em um dos momentos de trabalho do coordenador em que estes vínculos e relações são, claramente, manifestados. Isto porque todo planejamento participativo tem como pilar de sustentação o trabalho coletivo que busca conferir legitimidade ao trabalho pedagógico. Por vezes, são as formas de estabelecimentos dos vínculos e a qualidade das relações interpessoais que contribuem para o êxito das atividades.
Estas ações também remetem à dimensão formadora do coordenador pedagógico, enquanto articulador de aprendizagens na escola considerada espaço de construção de cultura e de interação social. Por isso é importante que sua prática profissional envolva valores e atitudes concernentes à prática da justiça, da tolerância e da democracia.
É importante destacar a interface do coordenador pedagógico no planejamento da escola e do ensino, em especial, na construção de planos de ensino (plano de trabalho docente) articulado ao projeto político-pedagógico.

O plano de ensino é essencial para nortear o trabalho cotidiano do professor, sendo por ele elaborado, numa periodicidade geralmente anual ou semestral, conforme a duração do período letivo. A respeito da sugerimos a leitura da Sala Currículo, Cultura e Conhecimento Escolar.
É necessário que o coordenador pedagógico dialogue com os docentes a fim de refletir sobre os objetivos gerais elencados no projeto político-pedagógico e sua forma de articulação com os respectivos planos. A elaboração dos planos de ensino (Trabalho Docente) deve ser compartilhada com o coordenador pedagógico, pois os planos de ensino (planos de trabalho docente e planos de aula) são instrumentos essenciais na organização do fazer pedagógico cotidiano do professor e do coordenador. A própria organização do fazer pedagógico pressupõe que o coordenador pedagógico elabore também o seu plano de trabalho em consonância com o projeto político-pedagógico e com as diretrizes gerais concernentes ao seu exercício profissional.
Nesse sentido, as temáticas abordadas nesta sala também se articulam aos temas estudados na Sala Ambiente Realidade Escolar e Trabalho Pedagógico na qual podemos identificar os aspectos relevantes da realidade escolar, do papel e perfil do coordenador pedagógico.

Nos âmbitos dos diversos sistemas de ensino (federal, estaduais e municipais) constitui-se um grande desafio a busca por uma identidade e a definição do perfil ocupacional do coordenador pedagógico. Contudo, dentre todas as atividades desenvolvidas destacamos que o coordenador pedagógico interage diretamente com os professores, cabendo-lhe atitudes relacionais que orientem o desenvolvimento do trabalho docente em sala de aula e suas devidas articulações com o planejamento da escola. É necessário que o coordenador pedagógico estabeleça as conexões entre o espaço micro-escolar da sala de aula, o meso espaço da escola e o nível macrossocial, focalizando os dispositivos do planejamento participativo com vistas ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem e à sistematização das demandas docentes e específicas do processo educativo.
Para melhor desempenhar esta articulação é necessário conhecer e valorizar os processos e espaços comunicacionais e de gestão da informação. A esse respeito ver Sala Ambiente de Processos Comunicacionais. Além disso, a construção de relações interpessoais democráticas demanda o respeito ao princípio ético de valorização tanto da pessoa quanto do profissional da educação, levando-se em conta a diversidade cultural e de concepções pedagógicas e a compreensão do processo de construção da identidade institucional da escola.
Ao promover a articulação da equipe escolar em torno do projeto político-pedagógico coordenando as discussões e análise sobre seus desdobramentos nos planos de ensino, nos planos de curso, nos planos de aulas o coordenador pedagógico assume o papel central no planejamento escolar. De forma, também a instigar e viabilizar a participação docente em todas as etapas do planejamento, especialmente na elaboração, implementação e avaliação do PPP. A articulação em torno do PPP permitirá que diferentes sujeitos escolares se movimentem na direção dos objetivos e fins estabelecidos pelo coletivo da escola. Neste processo o coordenador pedagógico também aprende, a partir das considerações reflexivas e do feedback dos demais protagonistas da escola, e a escola configura-se como organização aprendente.
Deste modo, o coordenador pedagógico deve estar aberto ao diálogo, ser estudioso, leitor e ouvinte, estar aberto às inovações e atento aos aspectos das relações interpessoais inerentes ao universo escolar, e exercer a liderança junto aos seus pares de modo a garantir, ao mesmo tempo, espaço para a criatividade e o cumprimento das diretrizes gerais da educação básica e das normas estabelecidas pela escola. É necessário sustentar suas práticas sob uma fundamentação teórico-metodológica capaz de orientá-lo nos principais conceitos de ordem político-pedagógica, bem como no que se refere ao planejamento escolar (e de ensino) com foco no PPP.

Muito embora, a elaboração do PPP deva resultar da participação coletiva. O coordenador pedagógico, com o apoio da direção da escola, deve envidar esforços no sentido de instigar essa participação, pois as ações que ele realiza perpassam várias instâncias e segmentos interagindo, inclusive, junto aos pais dos alunos.
No entanto mesmo que facilitada pelo desenho da função, esta interação não ocorre espontaneamente, é necessário que haja a intenção e opção da gestão escolar em promovê-la e criar os espaços de interlocução entre os diferentes segmentos da escola.
Em um cenário marcado pela presença de grupos plurais e diversos, como professores, alunos, comunidade e demais profissionais da educação, o reconhecimento da escola como instituição multicultural por excelência (ASSIS & CANEN, 2004) é de fundamental importância.
Para Paulo Freire (1982), você, Coordenador/a, é um educador e, como tal, deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola.
No exercício de sua função você necessita criar, entre os professores, um espaço para a ressignificação de suas práticas, de modo a resgatar a autonomia sobre o seu trabalho sem, no entanto, se distanciar do trabalho coletivo da escola.

PARA PENSAR:
O MAESTRO
O educador ou o coordenador de um grupo é como um maestro que rege uma orquestra. Da coordenação sintonizada com cada diferente instrumento, ele rege a música de todos. O maestro sabe e conhece o conteúdo das partituras de cada instrumento e o que cada um pode oferecer. A sintonia de cada um entre si, a sintonia de cada um com o maestro, a sintonia de todos é o que possibilita a execução da peça pedagógica. Essa é a arte de reger as diferenças, socializando os saberes individuais na construção do conhecimento generalizável e na formação do processo democrático.
(FREIRE apud MEDEL 2008, p.37)

Muito embora, a elaboração do PPP deva resultar da participação coletiva. O coordenador pedagógico, com o apoio da direção da escola, deve envidar esforços no sentido de instigar essa participação, pois as ações que ele realiza perpassam várias instâncias e segmentos interagindo, inclusive, junto aos pais dos alunos.
No entanto mesmo que facilitada pelo desenho da função, esta interação não ocorre espontaneamente, é necessário que haja a intenção e opção da gestão escolar em promovê-la e criar os espaços de interlocução entre os diferentes segmentos da escola.
Em um cenário marcado pela presença de grupos plurais e diversos, como professores, alunos, comunidade e demais profissionais da educação, o reconhecimento da escola como instituição multicultural por excelência (ASSIS & CANEN, 2004) é de fundamental importância.
Para Paulo Freire (1982), você, Coordenador/a, é um educador e, como tal, deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola.
No exercício de sua função você necessita criar, entre os professores, um espaço para a ressignificação de suas práticas, de modo a resgatar a autonomia sobre o seu trabalho sem, no entanto, se distanciar do trabalho coletivo da escola.

PARA PENSAR:
O MAESTRO
O educador ou o coordenador de um grupo é como um maestro que rege uma orquestra. Da coordenação sintonizada com cada diferente instrumento, ele rege a música de todos. O maestro sabe e conhece o conteúdo das partituras de cada instrumento e o que cada um pode oferecer. A sintonia de cada um entre si, a sintonia de cada um com o maestro, a sintonia de todos é o que possibilita a execução da peça pedagógica. Essa é a arte de reger as diferenças, socializando os saberes individuais na construção do conhecimento generalizável e na formação do processo democrático.
(FREIRE apud MEDEL 2008, p.37)




ATIVIDADE 2 - OBRIGATÓRIA

Com base na leitura do texto O coordenador pedagógico na educação básica - desafios e perspectivas, disponibilizado na Biblioteca, faça uma reflexão sobre a importância do papel do coordenador pedagógico no planejamento escolar e pontue as dificuldade sencontradas neste papel.
Redija um pequeno texto e envie essa produção para a Tarefa “Atividade 2”.




ATIVIDADE 3 - OBRIGATÓRIA

Após estabelecer uma reflexão teórica sobre o seu trabalho e pontuar as dificuldades encontradas neste papel, participe do Fórum, leia o que seus colegas postaram e identifique os fatores ou aspectos de consenso no exercício profissional.
Utilize o Fórum, tópico “A importância do papel do coordenador pedagógico no planejamento escolar”para postar sua contribuição.
Participe!


Medel (2008, p. 38 a 39) destaca que é necessário “identificar os desafios cotidianos, o que pode ser feito mediante a investigação da própria ação desenvolvida pela escola”. Isto porque, esta investigação também configura-se como um exercício de reflexão e de auto-avaliação permitindo identificar definir os desafios, dilemas vividos no cotidiano da escola. Por outro lado a reflexão em torno do exercício profissional permite diferenciar a tipologia e natureza das dificuldades encontradas e analisar o tipo de interação que estabelecidas entre os sujeitos escolares. A esse respeito sugerimos a leitura da Sala Ambiente Realidade Escolar a fim de correlacionar as problemáticas abordadas quanto ao desafio do coordenador pedagógico no exercício da sua função.
Assim, consideramos interessante a sugestão feita por Medel (2008) para a identificação dos desafios encontrados pelo coordenador de área mediante o registro sistemático da própria ação. Uma vez que essa “ação possibilita ao indivíduo desenvolver a consciência individual da sua experiência, identificando os desafios de sua ação no que se refere ao que pensa e diz sobre sua prática.” (MEDEL, 2008. p. 38)
Por sua vez, este tipo de registro possibilita também focalizar a percepção dos coordenadores pedagógicos quanto ao exercício da sua função, seus dilemas, suas expectativas, suas ações. E isto em dimensão ampla permite também identificar os desafios de natureza coletiva (MEDEL, 2008)
Dessa forma, propomos a você Coordenador a reflexão em torno da sua prática profissional, seguindo as sugestões apresentadas por Medel (2008, p.39):
“ a) identificando os desafios cotidianos; b)agrupando os desafios de acordo com sua natureza: pedagógicos, administrativos financeiros etc; c) diferenciando desafios coletivos dos individuais; d) analisando os seguintes aspectos: por que permanece, como se relacionam, quais suas conseqüências e outros”.
ATIVIDADE 2 - OBRIGATÓRIA
Com base na leitura do texto O coordenador pedagógico na educação básica - desafios e perspectivas, disponibilizado em pdf, faça uma reflexão sobre a importância do papel do coordenador pedagógico no planejamento escolar e pontue as dificuldade sencontradas neste papel. Redija um pequeno texto para socializar e entregar.

REFERÊNCIAS:
ASSIS, M.D.P. & CANEN, A., Identidade Negra e Espaço Educacional: vozes, histórias e contribuições do multiculturalismo, Cadernos de Pesquisa, Vol. 34, N. 123, Set/dez. 2004.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
GADOTTI, Moacir . Educação e poder: uma introdução à pedagogia do conflito. São Paulo: Cortez, 1988.
SILVA JR. C.A. & RANGEL M. (orgs). Nove olhares sobre a supervisão. Campinas, SP: Papirus, 2004.
MEDEL, Cássia Ravena Mulin Assis de. Projeto Político-Pedagógico: construção e elaboração na escola. Campinas, SP: Autores Associados, 2008. (Coleção Educação Contemporânea).

Bases conceituais, políticas e filosóficas do Planejamento Escolar - Texto 01

Elementos e Contributos do Planejamento Escolar2

Planejar faz parte de nosso cotidiano, por exemplo, quando decidimos seguir por determinado caminho e não por outro, ou quando projetamos organizar uma festa de aniversário para nossos filhos.
No entanto, há diferentes tipos de planejamento, vinculados aos diferentes contextos, objetivos e fins, desde os mais simples aos mais complexos referentes à organização de diferentes instituições sociais, como por exemplo, o planejamento da escola. Podemos dizer que o planejamento educacional, segundo Calazans (1990), ocorre em três níveis interdependentes :o planejamento no âmbito dos sistemas e redes de ensino; o planejamento no âmbito da unidade escolar; e o planejamento no âmbito do ensino. Neste estudo focalizaremos o planejamento da escola.
O ato de planejar a escola e o ensino requer dos educadores a reflexão e mobilização em torno da definição de valores, princípios, significados e concepção de educação e das práticas inerentes ao espaço escolar. Em dimensão mais ampla o planejamento escolar requer integralização e articulação das ações educativas norteadas pelo projeto político-pedagógico. Enquanto que, o planejamento de ensino constitui-se em espaço e momento coletivo para reflexão e análise da práxis pedagógica e dos instrumentos teórico-metodológicos, que permitam a todos os envolvidos reafirmar suas posições e avaliar suas práticas, ressignificando-as. Nesta perspectiva, o planejamento escolar deve ser concebido, assumido e vivenciado cotidianamente, também como um ato político, no sentido de resgate dos princípios que balizam a prática pedagógica em processo de ação-reflexão-ação. Por isso o planejamento escolar requer a reflexão e ação coletivas.

A escola é uma instituição imprescindível à sociedade contemporânea, especialmente, pelo seu contributo para o desenvolvimento da cidadania. O que diferencia basicamente o planejamento empresarial do planejamento escolar é que a escola, enquanto instituição social tem natureza e objetivos diferentes das organizações empresariais que visam à aferição de lucro.
Os objetivos da escola, além de serem diferentes, são antagônicos aos objetivos das empresas capitalistas (PARO, 2001, p. 14), porque se destinam a formar pessoas. Segundo Paro (2001), “são os fins buscados que dão especificidade a cada administração em particular” (p. 13).
O planejamento contempla contributos essenciais para a melhoria da escola e do processo de ensino-aprendizagem, uma vez que propicia: balizar o processo de tomada de decisões fundamentadas com base na análise da realidade escolar; refletir e definir coletivamente objetivos das atividades de ensino e de gestão da escola; projetar as potencialidades da escola frente às demandas sociais; fazer a previsão e a provisão dos recursos diversos; organizar e articulação das ações educativas; otimizar o tempo e o espaço pedagógico; organizar o trabalho coletivo; explicitar princípios, diretrizes e procedimentos do trabalho docente que assegurem a articulação das atividades escolares; assegurar a unidade e a coerência do trabalho docente; expressar os vínculos entre o posicionamento político-filosófico, pedagógico e profissional na gestão escolar; enfim, projetar os caminhos da escola, entre tantos outros.
Nesta Sala Ambiente destacaremos a concepção de planejamento participativo concebido, segundo Cornely (1977), como sendo um processo político, um contínuo propósito coletivo de reflexão e amplo debate a fim de deliberar sobre a construção do futuro da comunidade contando com a participação do maior número possível de membros das categorias que a constituem.
O planejamento participativo no âmbito da escola implica reavivar continuamente o processo de reflexão e ação da coletividade (da comunidade escolar). Implica ainda a busca da identidade institucional, ou seja, da identidade construída e reconstruída pela coletividade. Ele se baliza pela elaboração de seu projeto político-pedagógico. Esclarecendo melhor, isto ocorre porque, na elaboração e implementação do projeto político-pedagógico, materializam-se os diferentes momentos do planejamento passando pela: definição de um marco referencial, elaboração de um diagnóstico, definição da programação com base nos princípios de necessidade e exeqüibilidade visando à intervenção na realidade escolar e a própria avaliação.

A idéia de situar o projeto político-pedagógico como norteador do planejamento escolar adquire grande destaque no processo de redemocratização sócio-política, frente à crítica ao modelo de planejamento tecnoburocrático com ênfase nos seus aspectos técnicos.
O processo de elaboração e implementação do projeto político-pedagógico é fundamental porque envolve as pessoas que atuam na escola, dá a elas a sensação de pertencimento, de envolvimento com a instituição escolar. Isto pois, não há relação agradável entre submissão e satisfação. Ninguém fica satisfeito sendo apenas submisso (DIAS, 1998, p. 268). A satisfação em trabalhar numa escola, atuar para sua melhora e maior aprendizado dos alunos vem com a condição de partícipe, de sentir-se valorizado e respeitado.
Assim, o planejamento escolar norteado pelo político pedagógico não condiz com relações autoritárias ainda presentes em muitas gestões escolares.
Masetto (2003) destaca que apesar da implantação de recentes teorias administrativas da área educacional, das tentativas de que os gestores educacionais revejam suas posições e ações, “é impressionante ver a influência da cultura educacional própria do gestor no modo como ele exerce a administração” (p. 70). Sua forma de ver o mundo e a sociedade interfere sobre a forma como um diretor de escola toma as decisões ou constrói seu modelo de gestão. Essa cultura educacional do gestor está permeada, segundo Masetto (2003), das mesmas relações verticais, de cima para baixo, ou seja, de quem sabe e tem o poder, para quem não sabe e deve obedecer.
Mudar esta cultura não é coisa fácil e o coordenador pedagógico (CP) pode contribuir para relações mais respeitosas e democráticas na escola. Desenvolver a cultura da gestão democrática e participativa significa ter a escola como espaço de deliberação coletiva dos sujeitos escolares, ou seja, os gestores, os professores, os estudantes, seus pais ou responsáveis, os funcionários. Isto não é tarefa só para a direção da escola, mas sim de todas as instâncias e usando muitos mecanismos de participação coletiva, deliberação colegiada.
A gestão democrática e participativa é instrumento de superação do autoritarismo e dos individualismos ainda tão presentes nas escolas. Para vivenciá-la é preciso criar momentos coletivos e específicos de discussão sobre o significado de democracia, autonomia, descentralização, participação, cidadania, representatividade responsável. É importante que a comunidade escolar tenha conhecimento das diferentes possibilidades de se gerir uma escola e tenha clareza, compreensão, dos conceitos citados, pois eles são fundamentais para se empreender uma gestão participativa.
Isto é fundamental se desejamos uma escola democrática. Uma escola respeitosa com as pessoas formará também pessoas respeitosas e isso pode parecer pouco, mas não é! O respeito é contagiante e, certamente, na vida social com pessoas mais respeitosas teremos uma sociedade mais justa e democrática.
Desta forma, ter uma gestão democrática e participativa na escola significa contribuir para a construção de uma sociedade melhor. [Fonte: Escola de Gestores - UFSC]

1Colaboração de Profª Mirza Seabra Toschi – UEG; Eliane Anderi – UEG e Renato Ribeiro Leite – UEG.
2 Contribuição de Mirza Seabra Toschie, Eliane Anderi e Renato Ribeiro Leite da UEG



LEITURA COMPLEMENTAR

Estado, Descentralização e Planejamento Educacional na América Latina- de autoria de João Augusto Gentilini http://www.polemica.uerj.br/pol25/artigos/contemp_4.pdf
O planejamento em educação. Marcelo Soares Pereira da Silva – UFU
O planejamento em educação_MarceloSoares.pdf
Planejamento e trabalho coletivo Ângelo Souza Ricardo de Souza [et al.]
(Reflita sobre os entrelaçamentos entre estes diferentes tipos de planejamento e sobre o significado do trabalho coletivo e a gestão democrática na escola).
Angelo Ricardo Souza.pdf
Planejamento Escolar: um estudo a partir de produções acadêmicas (1961 – 2005) – MAUÁ JÚNIOR, Reynaldo.
http://www.marilia.unesp.br/Home/Pos-Graduacao/Educacao/Dissertacoes/junior_rm_dr_mar.pdf

REFERÊNCIAS:
CALAZANS, M. J.; GARCIA, W.; KUENZER, A. Planejamento e educação no Brasil. São Paulo: Cortez, 1990.
DIAS, José Augusto. Gestão da escola. In: Vários autores. Estrutura e funcionamento da Educação Básica – leituras. São Paulo: Pioneira, 1998. p. 268-282.
GANDIN, Danilo. A prática do planejamento participativo. 10ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.
MASETTO, Marcos T. Cultura educacional e gestão em mudança. In: VIEIRA, A.T., ALMEIDA, M.E. B. e ALONSO, M. Gestão educacional e tecnologia. São Paulo: Avercamp, 2003. p.69-84.
PARO, Vitor. Escritos sobre educação. São Paulo: Xamã, 2001.
XAVIER, Antonio Carlos da Ressurreição e SOBRINHO, José Amaral. Manual de implantação do PDE. Brasília: Banco Mundial, 1998